Risoto de Beterraba

Postado em Arroz, Clássicos, Comfort Food, Dicas, Fácil, Pratos Principais, Receitas Italianas, Restaurantes, Risotos - 28 de novembro de 2016

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O risoto é um verdadeiro coringa na cozinha. Como já falei aqui antes ele pode ser neutro e desta forma acompanha muito bem qualquer tipo de proteína, desde um suculento bacalhau até um corte de cordeiro. A receita de hoje é inspirada em um delicioso risoto de beterraba que a Helena Rizo faz no restaurante Mani, mas como não tenho a receita deles eu o preparei conforme a minha intuição. Sim, eu sei que muita gente não gosta de beterraba, mas sei também que quem gosta vai delirar com este risoto aqui, e garanto que o sabor não fica muito acentuado não, a influência da beterraba contribui mais mesmo é na cor. Lindona por sinal, né?!

 

Se você é daqueles que ama ter um risoto entre as opções de menu das festas de final de ano esta é uma bela sugestão, e na minha opinião combina divinamente bem com um cordeiro ao ponto, rosado por dentro ou com um peixe branco como o robalo ou a pescada cambucu. Eu acho a combinação entre beterraba, queijo de cabra e amêndoas torradas perfeita, mas se você quiser omitir ou substituir algum desses ingredientes fique à vontade. O preparo do risoto é o basicão de sempre, como eu explico em detalhes neste post AQUI , mas o pulo do gato e o truque essencial nesta receita é preparar o risoto com o suco das beterrabas cruas para que a cor se mantenha assim tão viva, pois da primeira vez que eu fiz decidi processar as beterrabas depois de cozinhá-las no vapor e a cor do meu risoto não ficou tão legal quanto desta vez. Se quiser um risoto mais sofisticado para servir como prato único ou impressionar alguém esta é a sua chance!

 

RISOTO DE BETERRABA COM QUEIJO DE CABRA E AMÊNDOAS TORRADAS

(serve 4 pessoas)

 

Ingredientes:

  • 4 beterrabas pequenas ou 3 médias descascadas e picadas em cubos
  • 1/3 de xícara (chá) de água filtrada
  • 1 xícara e 1/3 (chá) de arroz próprio para risoto (arbório, carnaroli ou vialone nano)
  • 1/2 xícara (chá) de vinho branco seco
  • 1 e 1/2 litro de caldo de legumes caseiro**
  • 1 folha de louro
  • 1 cebola grande bem picada
  • 1 dente de alho ralado
  • 1 colher (sopa) de azeite
  • 2 colheres (sopa) de manteiga
  • 4 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
  • sal a gosto
  • amêndoas com ou sem pele
  • queijo de cabra cremoso (tipo chévre) e salsinha fresca para finalizar

 

Modo de Preparo: Em um liquidificador bata as beterrabas em cubos com a água por alguns segundos até que consiga obter um suco grosso. Se for necessário adicione mais um pouquinho de água para ajudar a bater. Mantenha o caldo bem quente durante todo o preparo do risoto, em uma boca do fogão ao lado da panela do risoto. Em uma frigideira grande e funda (gosto de usar uma wok com cabo para preparar meus risotos) aqueça a manteiga junto com o azeite em fogo alto e refogue a cebola até começar a fritar. Junte o arroz e toste um pouco, mexendo até que todos os grãos estejam recobertos pela mistura de manteiga e azeite. Mantenha o fogo alto ainda. Adicione o vinho branco e deixe o álcool evaporar e o vinho reduzir. Quando o vinho reduzir adicione a folha de louro e comece a adicionar o caldo, uma concha por vez, e mexendo o risoto a cada nova adição do caldo. Quando o arroz começar a cozinhar intercale a adição do suco de beterraba com o caldo restante. Continue regando com o caldo de legumes bem quente (quase fervendo) e com o suco de beterraba e não pare de  mexer o risoto ainda em fogo alto, até que os grãos de arroz estejam al dente, ou seja, ainda um pouco durinhos no centro. Acrescente uma última concha de caldo, mexa novamente e desligue a panela. Acrescente o queijo parmesão ralado, 1 colher de sopa de manteiga gelada e misture delicadamente ao risoto (isto serve para dar brilho e deixar o arroz ainda mais cremoso). Pique e toste as amêndoas rapidamente em uma frigideira bem quente. Distribua o risoto nos pratos, finalize com pedacinhos do queijo de cabra cremoso, adicione uma porção das amêndoas tostadas, com algumas folhas de salsinha fresca e regue com azeite. Sirva em seguida com queijo parmesão ralado na hora, à parte.

 

** Eu explico como faço o meu caldo caseiro de legumes neste post AQUI.

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Bom Apetite!!

 

Homus de Beterraba

Postado em Antepastos, Comidinhas, Cozinha Árabe, Fácil, Gastronomia Funcional, Light, Petiscos, Receitas Especiais (s/ Glúten/Lactose), Receitas Rápidas, Restaurantes, Vegetarianas - 22 de agosto de 2016

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Eu já contei algumas histórias aqui que vivi e já compartilhei com vocês diversas receitas que aprendi com a minha bisavó paterna, que era libanesa e que eu tive o prazer de conviver até os meus 15 anos de idade. Ela era uma velhinha muito fofinha que tinha um sotaque árabe bem forte e que tinha verdadeiras mãos de fada, até hoje me lembro das suas valiosas dicas de cozinha e chego a sentir o sabor inigualável do seu quibe crú, das suas mezes (as famosas pastinhas árabes) e dos doces árabes na minha boca. Tudo o que ela fazia era mágico, e por sorte a minha bisavó também tinha um enorme coração, e ensinou pacientemente tudo o que sabia para as mulheres da família, incluindo a minha mãe que era apenas uma agregada…kkkk.

 

Mas não, este não é o homus que a minha bisavó preparava. O homus tradicional da cozinha árabe aprendido com a família já passou por aqui algumas vezes, mas este aqui é uma inovação que não vem da cozinha árabe mas sim da culinária saudável e funcional. Não, não fui eu quem inventou, mas eu amo beterraba, e a primeira vez que provei foi há alguns aninhos atrás no pequeno restaurante Sainte Marie no bairro do Morumbi. Comandado pelo fofo chef Stephan Kawijian – um francês/armênio muito querido e talentosíssimo – que proporciona aos seus visitantes uma comida árabe deliciosa e criativa, com um toque de modernidade e originalidade que torna daquele lugar um dos metros quadrados mais disputados de São Paulo em qualquer dia da semana (ele só não abre aos domingos). Desde então eu sempre quis tentar fazer em casa, mas quando ia preparar não tinha beterraba, aí acabava saindo o homus tradicional mesmo. Dessa vez me programei e deu tudo certo, e deste homus rendeu até uma outra receita que depois eu vou dividir com vocês.

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Por ora deixo aqui a receita desta delicia fresca, saudável e com uma cor tão vibrante que fascina até mesmo quem não gosta de beterraba.

 

HOMUS DE BETERRABA

(rende 500g de homus)

 

Ingredientes:

  • 4 xícaras (chá) bem cheias de grão-de-bico já cozido
  • 4 beterrabas médias cortadas ao meio
  • 2 dentes de alho
  • 2 colheres (sopa) de tahine (pasta de gergelim)
  • suco de 2 limões
  • 4 colheres (sopa) de azeite
  • 1/2 xícara (chá) da água do cozimento do grão-de-bico
  • pimenta moída e sal a gosto

 

Modo de Preparo: Cozinhe o grão-de-bico em água com folhas de louro e sal até que estejam macios. Escorra e deixe esfriar, guardando 1 xícara de chá da água do cozimento. Cozinhe as beterrabas com a casca em água até que estejam macias, depois deixe esfriar e descasque-as. Corte as beterrabas em cubos. No processador junte o grão-de-bico, as beterrabas, a tahine, o azeite, o sal e a pimenta e bata até obter uma pasta bem grossa. Pingue a água reservada do cozimento do grão-de-bico aos poucos até obter a consistência desejada. A pasta tem que ser cremosa, mas ainda firme. Por fim junte o suco dos limões e bata novamente. Na hora de servir transfira para pequenos bowls, regue com azeite, enfeite com ervas frescas (o tomilho combina muito com beterraba), polvilhe mais pimenta e sirva com pão ou torradas. Esta pasta pode ser guardada em vidros com tampa e armazenada em geladeira por até 3 dias.

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E aí, gostaram? Além de super saudável esta pastinha é também muito versátil, pois pode servir como recheio de sanduíches, complemento de saladas ou ainda acompanhada de crudités, como neste receita que eu já mostrei AQUI. Sem contar que dá um visual incrível em qualquer mesa de petiscos, não acham?!

 

Aproveitem! Beijo!

 

 

Creme de Batata e Alho-Poró Thai ou Vichyssoise Thai

Postado em Comfort Food, Contos, Entradas, Frutos do Mar, Inverno, Restaurantes, Sopas e Caldos, Thai, Viagens - 10 de agosto de 2016

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Quando eu era criança minha mãe – que aliás é uma mestre na preparação de sopas – fazia muito um creme de batata com alho-poró pra nós que todos amavam, e mais tarde fui descobrir que a tal sopa é a famosa e tem nome chic: Vichyssoise. Trata-se de uma clássica receita francesa em que batatas e talos de alho-poró são cozidos em caldo de galinha e depois adicionados de creme de leite fresco. Quem já provou sabe que por si só a receita já é uma absoluta delicia e não precisaria de mais nenhuma modificação.

 

Porém, quando estive recentemente em Portugal, mais precisamente na pequena cidade de Ericeira, me hospedei no Hotel Vila Galé e o restaurante de lá tinha uma chef que fazia uma comida incrivelmente deliciosa. Em uma das refeições que fizemos ali resolvi pedir uma vichyssoise com camarões que tinha no menu (e nada de descrição, apenas o nome mesmo), mas jamais imaginei a surpresa que estaria por vir. Quando a sopa chegou na mesa além de linda exalava um perfume intrigante de capim limão e coentro, uma versão da sopa famosa que eu nunca tinha visto. Os camarões vieram por cima, grandes e com aspecto delicioso deixado pelo cozimento no vapor, e finalizada com delicadas folhinhas de coentro. Mesmo sem provar eu já estava feliz porque adoro ser surpreendida por receitas inusitadas, e também porque a apresentação estava deslumbrante.

 

Já contei pra vocês que eu sou apaixonada por comida thailandesa né? Então, ao olhar para o prato logo identifiquei esta forte influência na receita, e quando provei a minha felicidade apenas se completou, foi uma festa de sabores na minha boca. E não só o coentro e os camarões combinaram perfeitamente nela como também percebi imediatamente que o leite de coco havia sido utilizado em substituição ao creme de leite fresco. Eu adoro decifrar receitas quando vou a um restaurante e gosto do que provo…fico sentindo cada detalhe do prato para depois tentar reproduzir em casa. Não, não tive coragem de pedir a receita à chef, afinal em um hotel como aquele isto não soaria muito educado, enfim, pode ser bobagem, mas fiquei tímida.

 

Só sei que aquela sopa deslumbrante não saiu da minha cabeça, e assim que tive oportunidade de reunir todos os ingredientes corri para prepará-la. A dificuldade estava em encontrar o capim limão, também conhecido como capim cidreira, pois o que se usa na receita como na tradicional culinária thai é justamente o bulbo dele que fica debaixo da terra, próximo da raiz, e não é toda hora que se acha um pé de capim cidreira pela frente. No interior é sim bem mais fácil, mas por aqui geralmente só se encontra as folhas. Eu já cheguei a ver uma vez há anos atrás no empório Santa Luzia uma bandeja só de bulbos de capim limão, mas eu ainda era inocente naquela época e não via muita utilidade pra eles…hahahaha. Acabei encontrando um pé de cidreira na casa da minha avó e como ela havia recém colhido as folhas eu tratei logo de arrancar o que restou. Dá pena, porque arrancando o bulbo com a raiz capim não nasce mais, precisa plantar novamente, mas aqui eu aproveito para dar uma dica: use o ingrediente com consciência e não desperdice, pegue apenas o que irá usar ou use tudo o que colher. E plante novamente depois para ter sempre :)

 

A sopa? Ah sim, na minha opinião deu super certo e cheguei bem perto do resultado daquela que provei em Portugal, deu para matar a vontade, ficou mesmo deliciosa, só não posso dizer que ficou igual porque não sou tão boa cozinheira quando a chef portuguesa, e também porque fica difícil a comparação entre a minha sala de jantar e o restaurante com vista para o mar do Vila Galé. De todo o jeito viajar e conhecer novos sabores e combinações é maravilhoso, e poder relembrar destas experiências pelo paladar é a minha forma preferida de matar as saudades. Espero que vocês também provem esta receita e se deliciem com ela.

 

VICHYSSOISE THAI

(para 2 pessoas)

 

Ingredientes:

  • 4 batatas inglesas médias descascadas e cortadas em cubos
  • 2 talos de alho-poró fatiados (use a parte mais clara e reserve a verde para fazer um caldo de legumes caseiro)
  • 1 bulbo de capim limão bem limpo e fatiado
  • 1 litro de caldo de galinha (ou caldo de legumes)
  • 1/3 de xícara (chá) de leite de coco
  • 2 colheres (sopa) de coentro fresco picado
  • 1 fio de azeite
  • 8 camarões médios ou grandes e limpos (sem as cabeças e com os rabos)
  • suco e raspas da casca de 1/2 limão tahiti
  •  1 colher (chá) de sal grosso
  • 1 ramo de tomilho-limão fresco
  • pimenta branca em grãos
  • sal e pimenta-do-reino moída a gosto
  • folhinhas de coentro ou de salsa fresca para finalizar

 

Modo de Preparo: Aqueça o azeite em uma panela e acrescente o bulbo de capim limão fatiado, refogando por alguns minutos até que o aroma comece a subir. Acrescente o alho-poró, refogue por mais alguns minutos e depois junte as batatas e o caldo de galinha. Cozinhe até que as batatas estejam macias, e então adicione o leite de coco e cozinhe por 5 minutos. Ajuste o sal se precisar. Desligue, junte as folhas de coentro picadas e bata com um mixer. Se precisar adicione mais caldo de galinha para conseguir a consistência desejada para o creme, que não deve ser nem muito espesso e nem muito ralo.

 

Para o preparo dos camarões: Se tiver uma panela de cozinhar no vapor ok, mas se não tiver coloque os camarões sobre um escorredor de metal e apoie sobre uma panela com água. Aromatize a água com o suco de limão, as raspas, o tomilho-limão e o sal grosso. Tempere os camarões apenas com um pouquinho de sal e pimenta moída na hora. Somente depois que a água da panela ferver coloque o recipiente com os camarões por cima, tampe e cozinhe no vapor por 8 a 10 minutos, dependendo do tamanho dos camarões. Fique de olho, se os camarões forem pequenos eles cozinharão em menor tempo, não deixe passar. Quando estiverem prontos sirva sobre o creme. Eu gosto dele quente, ainda mais nesta versão thai que remete a pratos quentes, mas na França é comum servi-lo frio.

Vichyssoise thai_Figos e Funghis

Esta receita fica chiquérrima se for servida como entrada em um jantar ou em pequenos copinhos em um coquetel ou recepção em formato de finger food. Pode ter certeza que o sucesso está garantido. É deliciosa, original e ao mesmo tempo simples.

 

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Beijo!